Uma Viagem por Outras Vidas
em Quelimane, Terra dos Bons Sinais
Antes que a chuva caísse na margem do rio dos bons sinais, a cidade de Quelimane viveu uma tarde memorável. Na terça-feira, dia 18, pelas 15 horas, o auditório da Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Quelimane transformou-se numa estação literária: ali se fez “Uma Viagem por Outras Vidas”, o mais recente livro de contos do escritor Malero Jeque. O evento reuniu estudantes, académicos, leitores e personalidades da cultura local, consolidando um momento de partilha, leitura e celebração da palavra.
Com organização do Clube de Leitura de Quelimane – sob o empenho constante do mestre Lino Mukurruza – e o acolhimento da Faculdade de Ciências Sociais e Políticas da UCM, a apresentação da obra foi confiada ao académico Benone Mateus. Num discurso que arrancou aplausos entusiásticos, Mateus destacou “a maturidade narrativa do autor, a profundidade humana dos contos e a forma como Malero Jeque se afirma como uma nova voz promissora no panorama literário moçambicano”. O apresentador confessou, em tom confidente, que a beleza e a força da prosa lhe pareciam “um raro achado na ficção nacional recente”.
Memórias de uma tarde literária
Durante a sua intervenção, Malero Jeque surpreendeu pela sinceridade e pela emoção contida. Revelou que os contos foram germinados a partir de breves encontros nas ruas, de vozes ouvidas em mercados ou de resignadas histórias de homens e mulheres da cidade da Beira. “Homenagear as vidas anónimas que constroem o Moçambique real era o meu fio condutor”, afirmou. O autor salientou ainda que escrever Uma Viagem por Outras Vidas foi também uma forma de protestar contra a prostituição infantíl, violência doméstica, abuso do álcool, casamentos falhados e consequente degradação familiar e abandono à educação das crianças, mas também é uma forma de devolver poesia, revisitando o imaginário moçambicano com um olhar contemporâneo e profundamente humano.
O público, composto maioritariamente por jovens estudantes e membros do clube de leitura local, respondeu com perguntas pertinentes sobre o processo criativo e o lugar da escrita de Malero na literatura moçambicana e no contexto lusófono. Seguiu-se uma sessão de autógrafos calorosa, onde o autor pôde conversar individualmente com leitores que já haviam adquirido a obra. “Saio de Quelimane com memórias ricas, convicto de que esta, sim, é a verdadeira terra dos bons sinais”, confessou Malero Jeque ao final da tarde, ainda cercado por leitores que pediam fotografias.
Agradecimentos e apoios institucionais
Em tom de reconhecimento, o escritor fez questão de agradecer publicamente ao Clube de Leitura de Quelimane e ao mestre Lino Mukurruza, “por manterem viva a dinamização literária nesta linda cidade e por permitirem que os quelimanenses viajassem comigo”. Estendeu a sua gratidão à Faculdade de Ciências Sociais e Políticas da UCM – Quelimane pela recepção exemplar, bem como às edilidades de Quelimane e da Beira, cujo apoio tornou possível a realização do evento. Uma palavra especial foi dedicada a Benone Mateus: “A apresentação não podia ter sido melhor. A sua leitura atenta e generosa trouxe novas camadas à minha escrita.”
O lançamento de Uma Viagem por Outras Vidas não é apenas um marco para Malero Jeque, mas também um acontecimento cultural para todo o Moçambique. Com este livro, o autor oferece um mosaico de narrativas que cruzam o real e o fabuloso, o litoral e o interior, o riso e a dor — tudo atravessado por uma escrita precisa, sincera e evocativa.



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