“Um livro denso, sensível e introspectivo”, a leitura do Escritor Michael Nivorocha à obra Uma Viagem por Outras Vidas
“Um livro denso, sensível e introspectivo”
A leitura do Escritor Michael Nivorocha
“É um exercício difícil escrever algumas linhas sobre um livro denso e complexo.” É assim que começa o parecer do Escritor Michael Nivorocha, que aceitou o desafio de mergulhar nos contos de Uma Viagem por Outras Vidas. E confessa: “Escrever este pequeno spoiler desta obra foi, para mim, um dos maiores desafios como leitor que escolheu exteriorizar os sentimentos, delírios e emoções que venho bebendo destes devaneios malucos. As palavras fogem e a caneta entorna toda a tinta.”
Michael Nivorocha, conhecido pela sua sensibilidade literária e pela capacidade de traduzir emoções, descreve a obra de Malero Jeque como “densa, sensível e introspectiva”. E sublinha um traço fundamental da escrita do autor: “Jeque é dono de uma escrita provocadora: escreve para incomodar e não para confortar. Não é como numa novela em que o início é melancólico e o final celebra felicidades. Na sua escrita não há conforto: há melancolia do início ao fim, revelações e outras coisas à mistura.”
O lado sombrio da humanidade sem véus
O parecer de Michael Nivorocha realça como os mundos sugeridos nos contos expõem “o lado sombrio da humanidade: a crueldade com que nos habituamos a viver, a indiferença, o desprezo, a violência que impacta inocentes, tal como os ciclones que deixam cicatrizes profundas numa comunidade”. Para Malero Jeque, explica o escritor, “faz sentido falar do mendigo, da rua que conta histórias e guarda memórias sombrias, das paredes que guardam segredos e do homem que vive a semear o terror”.
E, para ilustrar essa força narrativa, Nivorocha reproduz um dos trechos mais pungentes do livro – um monólogo de quem vive à margem:
Sou aquele que estende a mão na calçada, enquanto segues, de roupa engomada.
Às vezes, paro mesmo à tua frente, mas o meu cheiro afasta toda a gente.
Ninguém me vê… sou só paisagem,
mais um corpo na margem da cidade.
Só queria um abraço, um gesto de irmão,
mas afastam-se logo, com expressão.
Não é por mim, é por esta pele cansada,
que já não conhece água nem estrada.”
Um lembrete de que vidas importam
Michael Nivorocha conclui a sua análise com uma afirmação que condensa o espírito da obra: “Uma viagem por outras vidas é um lembrete de que vidas importam.” E acrescenta, num tom quase apelativo: “O mundo precisa da humanidade que se foi perdendo com o tempo: ética, moral, empatia e cuidado.”
Sem mais spoilers, o parecer termina com um convite directo ao leitor: “Convidou-vos a ler o livro ‘Uma viagem por outras vidas’, de Malero Jeque.” Um convite que, vindo de uma voz crítica tão atenta, adquire peso especial.
Michael Nivorocha
Escritor e crítico literário
Conhecido pela sua sensibilidade literária e pela capacidade de exteriorizar emoções em torno da palavra escrita. Conheceu Malero Jeque em Nampula, durante o lançamento do livro, onde adquiriu a obra e decidiu partilhar esta análise profunda.
🔑 Palavras‑chave do parecer
Frase‑chave
“Uma viagem por outras vidas é um lembrete de que vidas importam.”
📖 Disponibilidade: O livro pode ser adquirido através do blog do autor e em livrarias parceiras na Beira, Quelimane, Nampula e Maputo.
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