“Há silêncios que falam mais alto do que as palavras”
A minha participação na colectânea Anatomia do Silêncio, organizada por Ruben Morgado
A premissa da obra convida-nos a desacelerar. Há um momento em que o corpo abranda — o instante exacto que antecede qualquer palavra. A respiração encontra espaço, o olhar assenta e o ruído do quotidiano desvanece-se sem anúncio. É precisamente nesse intervalo emocional — breve, inteiro e honesto — que Anatomia do Silêncio começa e tenta permanecer.
Pedalar a Sombra: A Vulnerabilidade Como Espaço de Encontro
Nesta arquitectura de emoções que se tocam e coexistem — transitando entre [os capítulos] a inquietude, a mágoa, a vulnerabilidade, a cura e a serenidade —, a minha contribuição intitula-se “Pedalar a Sombra”. O texto encontra-se alocado no capítulo «Vulnerabilidade» (páginas 90 e 91), dialogando visual e esteticamente com uma fotografia de Ritesh Arya.
Escrever sobre a vulnerabilidade é aceitar habitar o sobressalto sem pressa de o resolver. Em “Pedalar a Sombra”, procurei explorar a travessia interior em que o corpo e a memória se cruzam, mostrando que expor a fragilidade não é um acto de fraqueza, mas o caminho mais sincero para a cura e para o auto-reconhecimento.
Uma Obra Para Abrir ao Acaso e Ler Devagar
Trata-se de um livro de concepção cuidadosa, pensado para não ser consumido com a urgência do mundo moderno. Não obedece a um ciclo rígido; é, antes, um convite à contemplação. Cada texto e cada imagem funcionam como espelhos de momentos essenciais da nossa própria caminhada.
Nascido do diálogo entre vozes próximas, distantes e desconhecidas, Anatomia do Silêncio reafirma o poder da prosa poética enquanto espaço de pausa e acolhimento. É um livro para ter por perto, para abrir numa página aleatória ao fim do dia e deixar que as palavras ressoem no ritmo da nossa própria respiração.

Comentários
Enviar um comentário